CAPÍTULO III

 

 

3.1 - DIAGNÓSTICO DA CONSERVAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA A PARTIR DO USO NA ARQUITETURA.

 

Antes de estabelecer o diagnóstico dos dados levantados, constatados, conforme suas fontes, seja oficial, extra oficial, privada ou imperícia, é preciso compreender a importância do papel do arquiteto em analisar e diagnosticar uma questão entendida por parte da sociedade, como sendo de engenharia. É necessário lembrar que a engenharia é simplesmente um fragmento diante do universo que é a arquitetura e nunca considerar que existe limite de que isso é engenharia e aquilo é arquitetura. Para tanto, basta compreender o texto escrito por Vitrúvio, no Ano 25 D.C.

 “A formação dos Arquitetos .

1. A ciência da arquitetura é beneficiada com muitas disciplinas e vários conhecimentos; por seu julgamento são provadas todas as obras realizadas pelas outras artes. Ela nasce tanto da prática quanto da teoria. A prática é o exercício habitual da experiência contínua que se executa com as mãos em todo gênero de material necessário à representação do projeto. E a teoria pode descrever e explicar as coisas construídas na medida da habilidade e da arte.

2. Por isso os arquitetos que, sem leitura, haviam se esforçado no exercício com as mãos, não puderam ter autoridade pelos seus trabalhos; e os que só confiaram nas teorias e nos seus conhecimentos, parecem ter perseguido uma sombra, não a realidade. Mas aqueles que aprenderam ambas a fundo, como munidos de todas as formas, atingiram mais facilmente com autoridade, aquele que foi seu objetivo.

3. De fato, estas duas estão presentes em tudo e também na arquitetura que é demonstrada e a que demonstra. Demonstrado é o projeto sobre o qual se fala; e o que demonstra é a descrição desenvolvida com as explicações das ciências. Por isso, o arquiteto deve ter habilidade nos dois sentidos para que seja considerado como tal. E assim também é preciso que seja engenhoso e dócil à ciência. Pois nem o talento sem a disciplina, nem a disciplina sem o talento pode fazer o artista perfeito. E que seja culto, perito em desenho, versando em geometria, conheça história, tenha ouvido atentamente os filósofos, saiba música, não seja ignorante de medicina, conheça os pareceres dos juristas, conheça astronomia e as razões do céu.

4. Por isso é assim, estas são as razões. É preciso que o arquiteto tenha cultura, para que possa melhorar a memória com anotações. Depois, é preciso conhecer a ciência do desenho para que possa representar mais facilmente, com reproduções gráficas o aspecto que queira da obra. E a geometria presta vários socorros à arquitetura; primeiro ensina o uso das réguas e do compasso, com o qual são feitos mais facilmente os traçados dos edifícios nos seus terrenos e o alinhamento tanto dos níveis quanto dos prumos, com o uso de esquadros. Do mesmo modo por meio da ótica os raios de luz são levados diretamente de certas regiões dos céus aos edifícios. E pela aritmética são calculados os custos dos edifícios, são explicados os cálculos das dimensões. As questões difíceis da simetria são encontradas com métodos e explicações geométricas.

5. E é preciso que conheça história porque os arquitetos desenham mais freqüentemente em suas obras muitos ornamentos sobre os quais devem responder aos que pedem explicações.

6. Quanto à filosofia, forma o arquiteto de grande espírito, e para que não seja arrogante, mas antes tratável, justo e fiel, sem avareza, o que é muito importante, porque na verdade, nenhuma obra pode ser feita sem confiança e integridade. Não seja ambicioso nem tenha a alma preocupada em receber recompensas; mas tendo boa fama, preserve com seriedade seu prestígio; e é isto que a filosofia prescreve. Além disto, a filosofia trata da natureza, que se diz em grafo physiologia. É necessário estudá-las mais cuidadosamente porque apresenta muitas e variadas questões naturais. Como nas aduções das águas. Pois nos seus percursos, tanto na curva como nos planos, formamo-se ares com as elevações, naturalmente, num ou noutro caso, dos quais ninguém poderá remediar os danos, exceto aquele que saiba a partir da filosofia dos princípios da natureza das coisas.

7. E é preciso  conhecer a música para que conheça a teoria canônica e matemática. Deve-se harmonizar os sons dos espaços, o ritmo. As máquinas hidráulicas e as outras, ninguém poderá fazer sem os princípios musicais do círculo, a quarta, a quinta, a oitava, a dupla oitava, a harmonia dos sons.

8. Até a disciplina da medicina é necessário conhecer por causa da inclinação do céu, que os gregos chamam klímata, do ar e dos lugares que são saudáveis ou insalubres e da utilidade das águas, pois sem esses princípios não se pode fazer nenhuma habitação salubre.

9. Também é preciso que conheça as leis necessárias para os edifícios de paredes comuns, para a divisória das águas pluviais e dos esgotos, das clarabóias. Da mesma forma, a adução das águas e outras questões congêneses, é preciso que sejam conhecidas dos arquitetos, a fim de que, antes que se construam os edifícios, cuidem para, feitas as obras, não deixar os processos aos pais de família e para que quando fechar os contratos, possa cuidar, com prudência, tanto do contratante quanto do empreiteiro; e de fato se o contrato estiver bem escrito, será de modo que se desobrigue um do outro sem logro.

10. E com a astronomia se conhece o oriente, o ocidente, o sul, o norte, também a teoria do céu, o equinócio, o solsístico, o curso de astros”[1].


3.2 - INTERVENÇÕES NO EDIFÍCIO QUE POSSIBILITAM UMA MELHOR CONSERVAÇÃO DE ENERGIA.

 

Para melhor compreender as possibilidades de intervenções dos espaços arquitetônicos, objetivando não só a conservação de energia como também a melhoria na qualidade do conforto térmico dos espaços arquitetônico, faz-se necessário o conhecimento básico dos processos físicos ou fatores que condicionam o melhor conforto humano. Os quatro fatores básicos que afetam diretamente o conforto humano são: temperatura do ar, umidade do ar, movimento do ar e a radiação, a boa qualidade de conforto humano é decorrente de cada um destes fatores num processo de intercâmbio de calor entre o corpo humano e seu ambiente; cada um pode favorecer ou impedir a dissipação do calor supérfluo do corpo.

Segundo Mascaró, 1983 “A metodologia de projeto deve basear-se na exclusão da radiação solar direta dos ambientes internos e na minimização da radiação solar direta e difusa das fachada e cobertura do edifício”[2].

Koenigbercer, 1977, observa que “A temperatura do corpo humano deve permanecer equilibrada e constante em torno de 37oC. Com objetivo de manter estacionada a temperatura neste nível, toda sobretaxa de calor deve ser dissipada ao ambiente”[3]. Assim o corpo desprende calor ao ambiente por: convecção, radiação, evaporação e por condução. Conforme figura 34.

Figura 1 34 Figura Humana

Fonte: Koenigbercer, 1977

 

O equilíbrio dos fatores relacionados, é de fundamental importância no uso dos espaços arquitetônicos, principalmente no espaço do qual não só consta a presença dos fatores naturais, como também possuem eletrodoméstico em grande quantidade (como e o caso da cozinha), que desequilibra a condição ambiental do espaço. Portanto, apresentado projeto no capítulo IV é de fundamental importância para equilibrar as condições ambientais no espaço da cozinha.

Segundo Mascaró, 1991 “O interesse deve dirigir-se a uma relação correta entre fatores climáticos e soluções arquitetônicos, ou seja, ao emprego do uso passivo da energia, concretizado mais por meio de técnicas construtivas do que por meio de instalações (uso ativo da energia)”[4]. Portanto tentaremos entender a ocorrência dos fatores procurando minimizar o desperdício, sem restrições, procurando desenvolver técnicas de composição para elaborar um projeto arquitetônico energeticamente compatível com a nossa realidade.

Um fator importante antes da iniciação ao planejamento do projeto e a sua orientação em função da radiação térmica, relacionada com a latitude do local onde será implantado o edifício, e também a orientação em função dos ventos. Segundo Mascaró, 1991 “Aconselha-se orientar o edifício em função dos ventos dominantes favorável e, sempre que possível, nas latitudes maiores, fazê-lo favoravelmente em relação à carga térmica recebida no período quente”[5]..

As influências topográficas em relação ao clima também são importantes par a conservação de energia na edificação, de acordo com Mascaró, 1991 “A altitude influência as variáveis meteorológicas. De maneira geral, a temperatura diminui quando aumenta a altitude; ao passo que a temperatura diminui quando aumenta a altitude; ao passar que a temperatura absoluta e a taxa de diminuição dependem da massa de ar e da época do ano. Os grau-dia de calefação aumentam com a altitude e com a velocidade do vento”. Observar figura 35.

 

Figura 2 35 Velocidade do vento

Mascaró, 1991 pág. 28.

O fator de reflexão, segundo Mascaró, 1991 É uma medida de relação entre a radiação refletida e a radiação total recebido por um objeto54 .

Radiação solar direta é um fator de que influencia na temperatura do ar, nas diferentes estações do ano, segundo Mascaró A resolução adequada da cobertura, do ponto de vista térmico, será fundamental não só para o conforto térmico, mas também para a minimização do consumo de energia[6].

Figura 3 36 Céu claro

Mascaró, 1991 pág. 49.

Para diminuir o grau da radiação solar é preciso seguir exemplos como os que ocorrem na arquitetura vernácula. Conforme figura.

Figura 4 37 Vernácula quente úmido

Mascaró, 1991 pág. 53

Como cita Mascaró, 1991 “Uma boa solução, então seria reduzir ao mínimo a exposição solar da cobertura, diminuindo, proporcionalmente a transmissão de calor do exterior para o interior”.

 

Figura 5 38 Reflexão

Mascaró, 1991 pag.. 54

Um fator importante para ser observado é a convecção sobre superfícies expostas à radiação, é o que ocorre em superfícies que absorvem a radiação absorvida, transpondo para o interior do edifício. Segundo Mascaró, 1991 Deve-se aproveitar qualquer mecanismo que facilite o movimento do ar sobre as superfície exposta a radiação ou, pelo menos, aproveitar plenamente os ventos da região[7]. A seguir observe figuras 39, 40 e 41 de soluções que contribuem para diminuir a insolação do edifício.

Figura 6 39 Absorção

Mascaró, 1991 pag 57

Figura 7 40 Radiação

Mascaró, 1991 pag 59

Figura 8 41 Ventilação I

Mascaró, 1991 pag 60

Figura 9 42 Ventilação II

Mascaró, 1991 pag 61

 

Outro fator fundamental para a redução do consumo de energia é a ventilação natural de acordo com Mascaró, 1991.

Nos climas quentes-úmidos, a tensão de vapor (quantidade de água presente no ar) tenderá a ser maior dentro do edifício do que de fora, devido ao suar, trabalhar, cozinhar etc. Sob essas condições, é desejável substituir o ar de dentro pelo de fora. Essa substituição de ar chama-se ventilação e é expressa como o número de renovações de ar em metros cúbicos por hora. As correntes naturais de ar ajudam a realizar essa substituição através de aberturas estrategicamente localizada no edifício[8].

 As figuras 43 a 46 apresentam soluções que podem ser aplicada no edifício.

Figura 10 43 Efeito chaminé

Mascaró, 1991  pág 69

 

Figura 11 44 Direção do fluxo I

Mascaró, 1991  pág 70

Figura 12 45 Direção do fluxo II

Mascaró, 1991  pág 91

Figura 13 46 Direção do fluxo III

Mascaró, 1991  pág 92

Também pode-se aplicar o uso da flora como fator importante de criação de zonas micro climáticas e também como barreiras de direcionamento da ventilação exterior para o interior do edifício. Como veremos nas figuras 47 e 48.

Figura 14 47 Localização dos fluxos

Mascaró, 1991 pág. 86

 

 

 


Figura 15 48 Influencia dos ventos nas árores

Mascaró, 1991 pág. 87

Outros fatores de grande importância, são as aberturas e os modelos de esquadrias que propiciam a ventilação direcionamentos e intensidade regulável. Como cita Mascaró, 1991. “A solução é controlar a ventilação dos locais através do dia e do ano para que, fornecendo padrões de habilidade adequada, otimizem os consumos de energia”[9]. como veremos nas figuras 49 a 55.

Figura 16 49 Esquadrias horizontal

Mascaró, 1991 pág. 94

w

Figura 17 50 Abertura de portas

Mascaró, 1991 pág. 96

Figura 18 51 Percianas

Mascaró, 1991 pág.97

Figura 19 52 Coberturas especiais

Mascaró, 1991 pág. 111

Figura 20 53 Proteções especiais

Mascaró, 1991 pág. 121

Figura 21 54 Proteção com vegetação

Mascaró, 1991 pág. 122

Figura 22 55 Cortinas e veneziana

Mascaró, 1991 pág. 123.

Como fio visto no início deste texto, é preciso que haja o controle de fatores naturais e também artificiais para que se possa obter o controle ambiental sem que se perca o ciclo natural, como exemplo a arquitetura de habitação Árabe utiliza os processos de ventilação relacionando como espaço e o clima da localização, como descrito no capítulo I é também na arquitetura vernacular na revista Arquitetura e construção com soluções a partir do uso das técnicas de captação e dissipação de calor entre ambiente interno e externo.

Figura 23 56Aquecedor solar de água

Figuras da revista Arq. e Const. Ano 11 nº 8, 1995 pág. 86 e 87.

 

 

Figura 24 57 Sistema de aquecimento de ar

Globo Ciências nº 3, 1992 pág 76

 

Uma casa que economiza 90% de energia

 

“Desde 1980, um estudo da National Bureau of Standards, órgão que regulamenta as normas técnicas nos Estados Unidos, comprova que as construções de madeira consomem 34% menos energia do que as de alvenaria, principalmente quando as condições climáticas exigem o uso de aquecimento. Nas regiões Sul e Suldeste do Brasil, este trabalho é feito por aquecedores elétricos”.

De posse desse percentual de eficiência, o pesquisador americano Michael Sykes mergulhou durante mais de dez anos em estudos para aprimorar esse coeficiente e finalmente chegou aonde queria. De acordo com os protóticos e estudos que apresentou ao Departamento de Energia americano, Sykes desenvolveu um novo modelo de casa de madeira que é capaz de economizar até 90% da energia que uma casa de alvenaria com as mesmas proporções necessitaria.

Batizada com o nome de Enertia, a casa de Sykes tem o seu ovo de Colombo na construção de uma segunda parede de madeira, erguida em paralelo à parede externa. Desse compartimento “vazio”, que serve como depósito de calor, uma série de portinholas e alçapões distribui o calor para onde se deseja. No verão, o trabalho das portinholas corre no sentido oposto, de modo a liberar o calor armazenado dentro da casa (veja nas ilustrações o princípio do sistema).

“Na casa Enertia, o movimento do ar é confinado pela parede externa”, diz Sykes, que garante que uma família que enfrente os rigores do inverno no Hemisfério Norte não é obrigada a consumir mais energia. 

Como exemplo fundamental de intervenções de técnicas no espaço que possibilitam traças térmicas podem encontrar na arquitetura vernacular rural como cita a Revista Arquitetura e Construção maio/2001 página 71.Este processo tem os princípios básicos da termossifão que é aplicado no projeto do capítulo IV.

Figura 25 58 Sistema de aquecimento de água

Revista Arquitetura e construção maio/2001 página 71.

 

 

3.3 - INTERVENÇÕES NO SETOR PRODUTIVO DE EDIFICAÇÕES QUE POSSIBILITAM A REDUÇÃO DO CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA

 

A industria da construção civil está cada vez mais procurando alternativas tanto nos seus sistemas construtivos quanto na sua administração com aproveitamento máximo das atividades com o menor índice possível de perdas, procurando aperfeiçoar os sistemas construtivos e a qualidade de materiais, que possibilitam o melhor conforto ambiental com redução do consumo de energia tanto do espaço edificado quanto da sua forma de construção, conforme citação Snyder, 1984.

Ralph Knowles investigou o projeto solar evidente em muitos pueblos do sudoeste. A forma de construção e a própria construção foram projetadas para receber e aproveitar um máximo de energia solar no inverno. Knowels mostra que no Pueblo Acoma, no Novo México, as paredes receptoras de energia da frente sul eram virtualmente livres de sombra durante os meses de inverno, permitindo que a massa das paredes armazenasse e transmitisse para o interior o calor do sol[10].

 A busca da qualidade e do tipo de materiais a serem aplicados foi constante na evolução na histórica das civilizações, como ocorreu no início com os Arunta que utilizaram galhos de árvores entrelaçados para estruturar a cabana e também utilização de fogo dentro da mesma, (as primeiras relações de uso da energia produzida pelas fogueiras dentro de um espaço fechado estruturado para essa condição). Como cita Schoenaver, 1984.

Los Aruntas viven en toscos refugios cuya estrutura esta construida com ramas entrelazadas formando un domo y cubierta con hierbas. Hojas, juncos y cualquer cosa de la que puedan disponer. Los refugios no estan âmueblados. Frecuentemente mantiene un fuego encendido en frente de la cabana o dentro de esta”[11].

Figura 26 59 Cabana Aruntas

Schoeauer, 1984 pag 24.

 

“Observando o processo de evolução das civilizações conforme histórico do capítulo 1, entende-se que todo o processo evolutivo dos sistemas construtivos e dos materiais aplicados, estão sempre relacionados com o conforto do espaço interno a partir do controle térmico estabelecido entre o homem no espaço interno e o espaço externo, sempre caracterizado com as relações climáticas que ocorreram durante as evoluções, encontras desde as cabanas estruturada de palha dos Aruntas às cabanas dos Iglú (SCHOENAVER, 1984 – Son conscientes de las propriedades de diferentes materiais y los combinam eficientemente para hacer complejas herramientas. La planta generica de una vivienda transitoria se parece a la de la efimera en que tambien es de forma, circular, perro la cubierta puede ser tanto en forma de dono de cono. La estrutura soporte de un refugio trassitoirio en forma de dono puedo ser de madeira, o e caso de una boveda de cañon, de bloquetes de hielo[12].

Ao uso nas novas tecnologia de sistemas construtivos de materiais que se encontram em evidência como o uso do gesso cartonado (material de baixa condução térmica), o isopor nas elevações de vedação (material de baixa condução térmica e baixo teor de absorção térmica).

As ligas de metais leve, como o alumínio titânio que materiais de boa condução térmica que contribuem para a melhor controle das temperaturas entre os ambientes, quando aplicado nas condições climáticas ideais. Têm grande importância para a conservação de energia elétrica, visto que, os espaços que utilizam os materiais e os sistemas construtivos da forma correta tem a sua qualidade ambiental controlada sem necessidade do uso de aparelhos de controle ambiental que utilizam a energia elétrica.

No projeto apresentado será apresentado no capítulo IV, aplicação do isopor com tratamento impermeabilizante, como material componente do acumulador de água quente, em substituição a materiais de alto custo industrial, e elevado consumo de energia na sua produção como a lã de vidro.

Analisando o setor produtivo em função dos espaços urbanos é de fundamental importância o controle da evolução vertical e horizontal das massas de edificações. Portanto é importante observar o que diz Lambertes, 1997.

Após o reconhecimento das variáveis climáticas, humanas e arquitetônicas, deve achar um meio de entender os efeitos destes fatores na arquitetura e em sua eficiência energética. Pode-se tirar partindo ou evitar os efeitos destas variáveis, por intermédio da edificação, de forma obter um ambiente interior com determinadas condições de conforto para o usuário. É importante ao arquiteto integrar o uso dos sistemas naturais e artificiais, ponderando os limites de exequibilidade e a relação custo/benefícios de cada solução[13].

Figura 27 60 Estudo de massa quente

Lamberts, 1997 pag. 116

 

É preciso evitar o fator que destruiu toda evolução da malha urbana das grandes e médias cidades do Brasil, que é a especulação imobiliária, fator este responsável pelos grandes vazios urbanos que reduzem a qualidade de vida e elevam o custo das infra-estruturas básica, inclusive a implantação dos sistemas de abastecimento de energia elétrica com elevadas perdas de cargas nos seus percursos e também pelas grandes concentrações de massas que elevam a tempera aumentando o uso da energia elétrica, como no exemplo citado por Lamberts, 1997 na cidade de Porto Alegre. Observando a carta da figura 60 (acima), se percebe a grande variação climática a que se submete Porto Alegre ao longo do ano. A mancha alongada constituída por pontos vermelhos que representam cada hora do ano, percorre desde a região onde é indicado o arquiteto artificial até o início da zona de ar condicionado[14].

Segundo Lamberts, 1997 para que se possa obter uma boa arquitetura com conservação de energia é preciso analisar o estudo das massas, como cita sobre a cidade de Porto Alegre.

A arquitetura a ser projetada em Porto Alegre tem como premissas básicas de conforto térmico duas estratégias antagônicas: massa térmica e ventilação. Deve-se considerar que as soluções que permitem o uso farto da ventilação no verão não podem prejudicar o armazenamento de calor por massa térmica no inverno. E vice-versa[15].

Além dos estudos das massas climáticas pesquisados, faz-se necessário uma análise mundial da evolução urbana com a interpretação das fotos tiradas pela NASA (Agencia Aeroespacial Norte Americana) com o objetivo de estudo de massa das concentrações urbanas, conforme podemos ver nos focos das imagens a seguir.

Figura 28 61 Focos de luz artificial no período noturno

Fonte: http://earthobservatory.nasa.gov/Study/Lights/

 

 

Figura 29 62 EstudO da evolução urbana tendo como referência a luminosidade artificial vista por satélite.

Fonte: http://earthobservatory.nasa.gov/Study/Lights2/lights_soil3.html

Por estes tão complexos sistemas do processo de evolução urbana, só a arquitetura trabalhada com rigor, utilizando das formas naturais e artificiais poderá impor ordem sobre a sociedade e melhorar a condição de vida urbana e a conservação da energia elétrica.

 

3.4 - INTERVENÇÕES DOS ESPAÇOS URBANOS QUE POSSIBILITAM A CONSERVAÇÃO DE ENERGIA .

 

Quando observamos os espaços urbanos, nas suas condições espaciais, a primeira impressão seria uma visão de prédios, ruas, praças etc. No entanto para que se possa perceber a cidade nos deve-se ir além da visão interna destes espaços procurando analisar o seu externo como todo o seu entorno até a zona rural, as suas condições climáticas, vento, temperatura, umidade etc. para, a partir dai entender as relações do homem com a conservação de energia na qualidade do espaço urbano, como cita Lamberts, 1997.

“Embora o clima seja bem distinto em qualquer região da Terra, o ser humano é biologicamente parecido em todo o mundo, sendo adaptável a diferentes condições climáticas ao se utilizar de mecanismos culturais como a vestimenta, a arquitetura e a tecnologia. Antes de entender o funcionamento destes mecanismos é fundamental o estudo das variáveis se baseia a premissa de que existe uma forte correlação entre conforto e consumo de energia”[16].

Analisando os fatores climáticos, os ventos são fundamentais na interferência da qualidade do espaço urbano. É fundamental para que se possa orientar, e localizar as massas de ocupação do espaço sem formação de ilhota com cita Mascaró, 1991 “A Ilhota térmica também afeta o percurso do vento. No centro da cidade onde o efeito da Ilhota térmica é mais intenso, o ar aquecido sobe e atrai o fluxo do ar dos subúrbios (ventos frescos) para o centro da cidade, quando a forma urbana permite”[17]. É fundamental que o planejamento urbano estabeleça princípios e técnicas que possibilitem a minimização da energia. Como analisar as informações climáticas em função da torografia urbana, aplicar a escala macro-climática para determinar a demanda de energia para a região estudada. A partir de dados obtidos da estação metorologica mais próxima e distribuir os edifícios no espaço urbano de forma a minimizar o ganho térmico natural e maximizar a ventilação cruzadas nas regiões que não possuem estação fria. A seguir a figura 63 demonstra como se formam as Ilhotas térmicas quando os edifícios formam barreiras.

Figura 30 63 Ventilação urbana

Mascraró, 1991 pag 34.

Para controlar a ação dos ventos no espaço urbano o arquiteto poderá estabelecer obstáculos naturais (árvores etc.) e artificiais como outros edifícios, conforme explica Snyder, 1984.

“O fluxo de ar num local de construção pode ser controlado por obstruções, defletores ou filtros formados por árvores, cercas, banquetas e obstruções, defletore. Ou filtros formado por árvores, cercas, banquetas e outros edifícios ou estruturas. Ventos indesejáveis de inverno podem ser reduzidos ou afetados e os ventos refrescantes do verão podem ser dirigidos a uma estrutura. Um quebra-vento reduzirá a 75% a velocidade do vento por distância de 10 a 15 vezes sua altura. Vegetação e paredes fora de um edifício podem ser usados para ajudar a ventilação natural ou mitigar o pleno efeito dos ventos fortes”[18].

 

Figura 31 64 Barreira de ventilação urbana

Snyder pág. 346.

 

Figura 32 65 Barreiras de árvores

Snyder pág 347.

 

O traçado das vias urbanas deverá ser de forma a facilitar a penetração do ar entre as massas dos edifícios, para que possibilite o melhor equilíbrio energético. Como cita Mascaró, 1991.

“Quando as ruas são paralelas à direção do vento dominante, formam canais livres pelos quais o fluxo de ar penetra em profundidade na zona urbana. Quanto mais largas forem as ruas, menor o obstáculo criado pelos edifícios situado ao longo destas e melhor a ventilação global, e maior seu desempenho energético no espaço urbano durante a estação quente”[19].

Entre os fatores climáticos o que mais possibilita o controle é a radiação, visto que existe em grande variedades de soluções, que poderão ser aplicadas, conforme as características da intensidade de radiação e a sua relação com o entorno, os materiais, os tipos de superfície etc., poderá ser analisado a situação do espaço e aplicada as soluções que oportunizem melhor conforto e redução no consumo de energia, como cita Mascaró, 1991.

“O fenômeno do forte aquecimento das superfícies externas dos edifícios, combinado com ausência de ventilação. As temperaturas dos terrenos nas regiões, quentes-umidas, diferem pouco da temperatura do ar. Já nas regiões quentes-secas, a temperatura do terreno pode atingir 70oC ou mais. Sob essas últimas condições qualquer superfície exposta; poderá criar desconforto no interior dos edifícios e consumir certa quantidade de energia para compensá-lo. As soluções são ventilar controladamente, sombrear, plantar e pintar com cores claras”[20].

A figura 66 representa como funciona o espaço urbano ventilado e o espaço aquecido com produção de inversão

Figura 33 66 Radiação térmica

Mascaró, 1991 pag. 52

Observando os fatores naturais que contribuem para o controle da condição da vida urbana, com uma relação de qualidade do espaço e conservação de energia, o vento tem fundamental importância. Portanto, é preciso que se identifiquem os diversos efeitos aerodinâmicos, em função da forma dos edifícios, o seu entorno, as suas alturas, que determinarão a qualidade do espaço urbano. Entre eles estão:

O efeito de Barreiras segundo Mascaró, 1991.

“Define-se como edifício laminar, do ponto de vista da ventilação e segundo critério adotado pelo CSTB (Center Scientifle et Tecnique ou Bâtiment-Incofort ou na Vent Aux Abords des Bântimens; concepts aerodynamiques. Livrason 170.255.76 Paris). Um prédio paralelepipedal, de espessura relativamente estreita. 10m de altura homogênea que não exceda de 30m (10 pavimentos) e de cumprimento mínimo igual a oito vezes a altura”[21].

Figura 34 67 Efeito barreira

Mascaró, 1991 pag 72

 

O efeito Venturi, também conhecido como fenômeno de funil, formado por dois edifícios próximos e perpendiculares que permitem a circulação do vento entre os mesmos e em algumas vezes, quando o funil é muito comprido; produzir-se-á um túnel aerodinâmico.

Figura 35 68 Efeito venturi

Mascaró, 1991 pag 73

 

Para Mascaró, 1991 “A proposta é aproveitar o efeito Venturi para ventilar os espaços urbanos, cuja localização ou conformação sejam desfavoráveis ao aproveitamento dos ventos locais, evitando a formação do túnel aerodinâmico pelo desconforto nas pessoas”[22].

Efeitos de união de zonas de pressão diferentes, segundo Mascaró, 1991 “Esse efeito, cuja intensidade esta diretamente ligada à altura das edificações, torna-se importante por que se desenvolve sobre uma superfície ampla de tamanho próximo às medidas transversais do conjunto dos edifícios” 71 .

 

Figura 36 69 Efeito união

Mascaró, 1991 pag 74

 

O efeito de malha é caracterizado por uma ocupação espacial justaposta, com alturas diversas que impede a circulação do ar entre os edifícios permitindo a circulação só sobre os mesmos. Segundo Mascaró, 1991 “A solução para nossos climas é evitar, no projeto do edifício o efeito “malha’ que impede a ventilação local. Assim as aberturas da malha deverão ser superiores a 25% do perímetro do edifício e orientados na direção dos ventos favoráveis”[23].

Figura 37 70 Efeito de malha

Mascaró, 1991 pág 75

Os efeitos das aberturas sob as edificações (muito utilizado na arquitetura moderna) têm como objetivo direcionar mais o fluxo de ar quando orientado sob os edifícios. Para Mascaró, 1991 “A solução e aproveitar o efeito dos espaços abertos localizados sob o edifício, para melhorar a ventilação do entorno construído nos climas quentes e úmidos”[24].

 

Figura 38 71 Efeito dos pilotis

Mascaró, 1991 pag 76

O efeito de canto acontece com o impacto dos ventos sobre as fachadas de forma que o desvio destes provocam sucção nas laterais do edifício. Para estes casos deverá se trabalhar formas que possibilitem um melhor aproveitamento dos ventos desviados pelos cantos.

Figura 39 72 Efeito de canto

Mascaró, 1991 pag 77

 

O efeito de canalização ou corredor ocorre entre duas barreiras de prédios e também como conseqüência incomoda a velocidade dos ventos frios.

 

Figura 40 73 Efeito canalização

Mascaró, 1991 pag 78

 

O efeito pirâmide ocorre nas zonas onde os edifícios possuem uma geometria irregular, possibilitando a melhor distribuição dos ventos sobre o seu entorno, com melhor aproveitamento da energia dos ventos e melhores condições na qualidade do espaço do edifício e consequentemente a melhor conservação de energia. Como cita Mascaró, 1991 “A proposta é usar os edifícios de forma piramidal para melhorar as condições de ventilação do edifício e do entorno, otimizando as vantagens de sua forma aerodinâmica e reduzindo sua capacidade de obstrução à ação do vento, interior e exteriormente”[25].

 

Figura 41 74 Efeito pirâmide

Mascaró, 1991 pag 79

O efeito “Wise” figura 75 provocado pelos ventos que incidem frontalmente na fachada do edifício originando a formação de um polo turbulento na parte inferior do edifício, para Mascaró, 1991 este é o famoso levanta saia “O rolo turbulento, próprio do efeito Wise, é particularmente incômodo pela forma em que circula o fluxo de ar, cuja direção pode ser vertical, por exemplo, levantando os objetos leves (saídas das mulheres)” 74 .

 

Figura 42 75 Efeito wise

Mascaró, 1991 pag 80

 

O efeito esteira é o causador de redemoinhos, originado da velocidade dos ventos sobre zonas de pressões  diferentes causando turbulência em todos os sentidos, portanto é importante analisar o seu entorno para que se possa abrir a esteira de ação dos ventos, conforme as figuras a seguir, como propõe Mascaró, 1991 “A proposta é abril a esteira”[26].

A princípio são estudados os fenômenos físicos naturais, fatores climáticos que alteram ou interferem na qualidade do espaço urbano e também os comportamentos dos fatores em função da massa de ocupação espacial da cidade e as possibilidades de melhorar as ocupações existentes em função de uma melhor qualidade dos espaços com redução do consumo de energia.

No entanto, é preciso que se analise a qualidade do espaço urbano. Não só nos seus aspectos físicos como também nos seus aspectos sociais, principalmente onde ocorrem as ocupações das encostas, das ribeirinhas etc. de forma desordenada e incontrolável. Originados pela segregação de uma sociedade capitalista selvagem, que distribuem a cidade através da especulação imobiliária ai então onde as elites concentram os espaços urbanos, criando áreas com alto nível de ocupação e elevado consumo de energia, enquanto que a população segregada ocupa as periferias sem a devida infra-estrutura de saneamento e distribuição de energia elétrica, além de originar vazios urbanos entre as ocupações construídas. Toda essa desordem da cidade atual imposta pela sociedade elitista reduzem a qualidade da distribuição dos espaços tanto urbanos quanto do interior dos edifícios, elevando o consumo de energia elétrica. Portanto o projeto apresentado no capítulo IV, não se enquadra na faixa elitista, visto que os materiais aplicados são de baixo custo, possibilitando o acesso a qualquer nível de classe social, e conseqüentemente, propiciará a melhoria da qualidade do espaço interior, reduzindo o consumo de energia elétrica, contribuindo para a conservação da mesma.

 

3.5 - PROJEÇÃO DO CONSUMO DE ENERGIA NOS ÚLTIMOS 10 ANOS.

 

O Brasil é o 10o produtor de energia elétrica do mundo, também é um grande consumidor e o problema da redução dos recursos está diretamente ligada ao aumento da demanda, sem crescimento da oferta. Segundo IBGE (Brasil em números 1998.

Assim como na indústria petrolífera, a demanda de eletricidade tem registrado elevadas taxas de crescimento Após o plano de estabilização de 1994, a demanda de eletricidade vem sendo “puxada” pelo crescimento do consumo residencial, com taxas médias anuais superiores a 10% evidenciada pelo aumento significativo das vendas de eletrodomésticos”[27].

É importante destacar que de 15 a 20% da demanda residencial originam-se de aquecedores elétricos, como cita o jornal Energipe ano II Nº 5 Folha 4, e que esta demanda poderá ser equilibrada com  a implantação do nosso projeto no capitulo IV que substituirá o uso residencial das resistências elétricas.

Basta analisarmos a tabela 02  para entendermos como os aquecedores contribuem para o elevado consumo doméstico.

 

Aparelho

Potência média em watts

Tempo de uso pro dia

Consumo médio mensal – em kWh

Ar Condicionado

1000

8 horas

240

Geladeira

200

O dia todo

60

Chuveiro

3500

1 hora

105

Freezer

400

O dia todo

120

Aquecedor

1500

2 horas

90

Torneira elétrica

3500

30 minutos

52

TV 20 polegadas

90

5 horas

13

Secadora de roupas

3500

1 hora

42

Microondas

1300

20 minutos

13

Lavadora de roupas

1500

1 hora

18

Lava Louças

1500

40 minutos

30

Cafeteira

1000

1 hora

30

Aspirador de pó

1000

20 minutos

10

Computador

250

6 horas

45

Secador de cabelo

1000

10 minutos

5

Ventilador

100

8 horas

24

Ferro elétrico

1000

1 hora

12

Aparelho de som

20

4 horas

2

Tabela 02 – Consumo por aparelho em Kwh

Fonte: www.guiafloripa.com.br/energia/

Os pesquisadores vem alertando a todos para o crescimento elevado do consumo de energia no Brasil, alertando para que se busque formas de racionamento de energia, como cita Roriz, 1993.

“Todos os dados hoje disponíveis sobre o setor energético brasileiro apontam para a eminência e um colapso: Tão logo seja retomado o desenvolvimento econômico, a energia produzida no pais será insuficiente para atender a demanda. Tal perspectiva impõe, à toda sociedade, um esforço conjugado na busca de formas mais racionais de produção e consumo de energia”[28].

 No entanto ao longo destes anos e de forma progressiva o consumo de energia elétrica vem, aumentando como podemos observar no ultimo gráfico do IBGE – Brasil em números 2001.

IBGE

Gráfico 06  Produção de energia primária

Fonte: IBGE

Gráfico 07 Evolução do consumo final de energia

Fonte: IBGE

 

Gráfico 08 – Evolução do consumo de energia em relação ao produto

Fonte: IBGE

Gráfico Produção de energia primária 13.4 – evolução do consumo final de energia.

O Brasil por ser um país que produz 90% da sua energia elétrica, originada das fontes hidroelétricas corre o risco de reduzir a sua capacidade de produção com as alterações climáticas que reduzem a capacidade dos seus reservatórios paralelo ao crescimento da demanda. Além destes fatores a redução dos investimentos no setor produtivo contribuiu para uma expectativa cada vez mais pessimista.

 

3.6 - PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA NOS ÚLTIMOS 10 ANOS

 

Para avaliar a produção de energia elétrica no Brasil é importante  entender o processo evolutivo de produção do início da política energética implantada pelo Poder Público à condições atuais onde o poder privado é responsável pela administração e comercialização deste setor.

Segundo Verde, 2000 “A partir da de cada de 50, o padrão de industrialização do País implicou na necessidade de significativas inversões públicas nas áreas de infra-estrutura e indústrias de base, particularmente em atividades produtivas como a energia elétrica”[29].

Desta forma o Governo Federal através da Empresa Estatal Federal Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – Eletrobrás investiu na geração e transmissão, em um trabalho conjunto com Empresas Estaduais de Distribuição, que durante as décadas de 60 a 90 administraram toda a política de produção e distribuição de energia elétrica.

Nota-se que durante os anos 70, quando se anunciava uma crise energética do petróleo mundial, o Governo Brasileiro, estimulou as atividades industrias para a produção de eletrointensivos enquanto que o crescimento do consumo ultrapassava a sua capacidade de produção, como cita Verde, 2000 “O planejamento para o setor elétrico espelhava fielmente essa tendência, apontando para o crescimento do consumo de energia elétrica a um ritmo de 12% ao ano e para o crescimento da capacidade instalada superior a 10% ao ano, e sancionava boa parte dos grandes projetos indicados no período anterior ainda no Milagre (Aceleração do processo de desenvolvimento econômico ocorrido no Brasil entre 1968 e 1974, conhecido como “Milagre Brasileiro”). Incluindo a construção da usina de Itaipú”: As distorções relacionadas entre o setor produtivo e o mercado consumidor ao longo destes anos, levou o Brasil à crise de energia elétrica. Para Bermann, a produção de energia elétrica esta em crise não por falta de tecnologia, visto que existem inúmeros meios viáveis de gerar eletricidade que são ignorados, como, por exemplo, as fontes alternativas eólicas, a biomassa, a solar etc. “Nenhum desses recursos representa uma solução mágica e assim como as fontes de energia tradicionais, também têm suas vantagens e desvantagens. Mas poderiam complementar e ampliar a produção de energia no Brasil, onde mais de 90% da eletricidade consumida ainda vem das hidroelétricas”. A implantação de novas tecnologias também é outro fator fundamental para complementar a produção como redução de consumo, como o projeto em estudo no capítulo IV.

O gráfico, do IBGE - Brasil em números 2001, como o setor produtivo se comporta diante da sua demanda nos últimos 10 anos

 

 

Especificação / Item

Unidade / Unit

1999

2000

Oferta interna de energia

10^6tep

253,00

260,76

Per capita

tep

1,55

-

Por PIB

tep/1 000 US$ (1)

0,33

-

Consumo final de energia

10^6tep

231

239

Oferta de eletricidade

TWh

372

391

Geração de eletricidade

TWh

332

348

Produção de petróleo

10^3b/d

1 126

1 270

Importação total de energia

10^3bep/d

1 194

1 036

Exportação total de energia

10^3bep/d

136

78

Reserva total de petróleo + Gás natural/

10^9bep

16,4

15,5

Tabela 03 - Dados gerais de energia – 1999-2000

Fonte/Source: Balanço energético nacional 2000. Brasília, DF: Ministério de Minas e Energia, 2000. Ano-base 1999.

(1) Taxas de câmbio médias de 1999.

 

Especificação / Item

Unidade / Unit

1999

2000

Derivados de petróleo

10^3bep/d

1 725

1 793

Gasolina e álcool

10^3b/d

535

541

Óleo diesel

10^3b/d

611

629

Óleo combustível

10^3b/d

223

227

Querosene de aviação

10^3b/d

61

57

Eletricidade total (1)

TWh

315

331

Industria

TWh

138

145

Residencial

TWh

81

84

Comercial

TWh

44

47

Reserva natural

10^6m3/d

21,2

25,9

Tabela 04 - Consumo total de energia – 1999 -2000

Fonte/Source: Balanço energético nacional 2000. Brasília, DF: Ministério de Minas e Energia, 2000. Ano-base 1999.

(1) Inclui outros.

 

Como pode ser observado nos gráficos, não ocorreram elevação da produção além das demandas.

Se forem analisados os gráficos da produção de energia elétrica primária confrontando com o da evolução do consumo final de energia por setor, poder-se-ia chagar à uma conclusão de que o Brasil é auto-suficiente nas relações de produção e demanda de energia elétrica. No entanto, é fundamental relacionar estes gráficos com o gráfico da evolução do consumo final de energia em relação ao produto interno bruto, para perceber que houve uma queda acentuada na produção industrial, que demonstra a deficiência do crescimento energético em relação a redução do crescimento industrial.

 

 

 

3.7 - A CRISE NAS FONTES PRODUTIVAS DE ENERGIA ELÉTRICA E SUA PERSPECTIVA.

 

A crise do setor energético brasileiro se acentuou a partir da década de 80, diante da desorganização dos governantes, fato este que fica comprovado com a preocupação do Governo Federal quando em 1986 criou um programa para tratar da conservação de energia elétrica, segundo comentário de Verde, 2000.

“É nesse ambiente organizacional crítico do setor elétrico, que surge em 1986. PROCEL – Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (mais tarde chamado Programa de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica), com a primeira tentativa sistemática de promover o uso racional da eletricidade em nosso País”[30].

O governo brasileiro, por ser detentor exclusivo dos recursos energéticos e pela sua evolução, durante as décadas de 80 e 90, se preocupou com criação de programas e mais programas de conservação de energia elétrica, a partir da redução do consumo final desta, como pode observar na citação de Verde, 2000.

“Pode-se distinguir três fases do PROJEL. A primeira bastante ativa, até 1991 em que o programa foi orientado principalmente para trabalhar no convencionamento e orientação da sociedade quanto a efetividade das ações de conservação de energia, no levantamento de dados e realização de estudos sobre o uso da energia pelos consumidores finais e na montagem e aparelhamento laboratorial visando o desenvolvimento das primeiras pesquisas em busca da melhoria dos índices de eficiência dos equipamentos elétricos utilizados no Brasil”[31].

E também com a criação do programa de conservação que se estendesse para as concessionárias estaduais. PROCECON’s – Programas de Conservação de Energia nas Concessionárias –.

Enquanto o governo criou programas na tentativa de conservar energia a partir da redução do consumo e da evolução tecnológica da produção de equipamentos mais eficientes os investimentos nas atividades produtivas mantiveram o seu crescimento menor que o crescimento da sua demanda.

No decorrer da década de 90, o setor elétrico brasileiro deu início ao processo de mudança com a privatização das distribuidoras, fato este importante, visto que o descaso do Governo Federal com os investimentos nas atividades produtivas, estimularam as distribuidoras a procurarem outras fontes alternativas, como ocorre com a distribuidora do Estado do Ceará (destaque na produção de energia eólica) e como ocorre com a distribuidora do Estado de Sergipe que está desenvolvendo pesquisa para a implantação de usinas eólicas, como informa o jornal Energia abril/2002. Diante dos fatos do descaso do poder público com a atividade produtiva é de se esperar uma transformação na iniciativa privada para que se aplique as opções alternativas como cita o professor Célio Bermann do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade São Paulo, que “Se a produção de eletricidade no Brasil esta em crise não é por falta de opções tecnológicas”[32]. No entanto deve ser por falta de interesse do poder público elitizado que ainda institui as normas do mercado energético brasileiro.

 

 

 

3.8 - A ENERGIA ELÉTRICA COMO MERCADO E A IMPORTÂNCIA DA ARQUITETURA NESTE MERCADO.

 

Analisando a energia elétrica como mercado ou simplesmente produto gerador de renda e intercâmbio, é importante observar que existe a necessidade e a dependência do homem no relacionamento espacial com o uso da energia elétrica, perdendo apenas para a dependência da água como elemento essencial da relações humanas no espaço. Diante desta importância a energia elétrica tornou-se uma das mercadorias mais comercializadas pela sociedade capitalista, transformando-se em um insumo fundamental para a sobrevivência da indústria e do processo de funcionamento dos demais setores.

A arquitetura tem fundamental importância no uso da energia elétrica, visto que, os primeiros passos dados pelo homem na condição de melhorar a qualidade da ocupação espacial estavam de certa forma ligadas a produção de energia a partir do uso do fogo em suas cabanas como pode ser  observado no que cita Lamberts; 1997 "Em climas severos como no norte da China, por exemplo, as edificações foram construídas subterrâneas. São escolas, mercado, residenciais, tudo sob a superfície da terra”[33]. O mesmo acontece na civilização dos KIWA e da Roma Antiga onde o homem utilizou-se do fogo como fonte energética para a produção de aquecimento da água e do ar como cita Lamberts 1997.

“Na cidade Romana Antiga, também existiam sistemas para aquecimento de água conhecidos como Calidrium e para o aquecimento de ambientes como Ipocausto. Túneis subterrâneos onde uma fornalha aquecida o ar, que por sua vez aquecia os ambientes”. Durante o processo de evolução da arquitetura sobre todas as civilizações a energia foi de fundamental importância. Não só no consumo da energia produzida, como também na evolução das tecnologias tanto de produção energética como de produção da arquitetura, visto que o uso da energia elétrica no controle dos micro-climas criou condições que permitem a alteração as relações espaciais do edifício e os sistemas construtivos que transformaram a arquitetura, como o uso do concreto armado por Le Corbusier, como cita Lamberts “Le Corbusier lançou idéias como o esqueleto estrutural, o terraço jardim, o planta livre, os pilotis e o modulor, que relacionava as proporções entre o homem e o espaço arquitetônico projetado”[34]

Esta relação de evolução da arquitetura com a contribuição do uso da energia para o conforto térmico de interiores e iluminação. Torna-se um tanto quanto perigoso para as questões ambientais, visto que em geral ignoram o ambiente natural. Para Snyder, 1979.

“Estamos agora começando a desenvolver uma arquitetura que responde melhor aos fatores ambientais e que é muito menos dependente dos cada vez mais caros combustíveis fósseis. Alguns chamam a isso projeto que conserta energia, mas um nome melhor seria projeto consciente da energia, já que ainda estaremos construindo edifícios que serão consumidores de energia, apenas a um nível muito mais baixo de consumo por unidade de área”[35].

Durante o estudo realizado no capítulo I, em seu texto histórico,  observar-se a importância da arquitetura para o mercado de energia, tanto na aplicação das soluções que definem melhor a qualidade dos espaços como também no processo de conservação, conforme Romero, 1991. “Soluções bem sucedidas de uma boa arquitetura são encontradas nos dois hemisférios, em diferentes zonas climáticas e período históricos, elaborados muitas vezes por povos sem uma instrução científica adequada, mas apenas com o desejo de minimizar as condições climáticas locais e garantir sua sobrevivência”[36]. Estes fatores mostram como a arquitetura vernacular contribuiu na definição dos seus espaços relacionado a conservação da energia.

Atualmente, a arquitetura tem papel fundamental na conservação de energia e conseqüentemente no seu mercado, tanto no desenvolvimento dos seus projetos, na construção como também no espaço construído. Segundo Romero, 1991 “Os potenciais de redução nas etapas de produção do edifício podem ser de 0 a 10% no estudo preliminar, 40 a 50% no anteprojeto e de 30 a 40% no projeto executivo, enquanto que as reduções efetivas nas etapas posteriores, podem ser de: 0 a 10% na etapa preliminar da obra; 0 a 10% e de 0 a 20% na ocupação e uso” 85 .

Gráfico 09            Etapas de produção da construção.

Romero, pág. 6

 

Conforme análise dos dados gráficos acima, a arquitetura tem papel fundamental no comportamento do mercado, considerando que é a única atividade que possibilita intervenções no consumo de energia, em todas as etapas de desenvolvimento das ocupações espaciais urbanas ou do edifício, desde o projeto ao seu uso.

 

 



[1] SENRA, Kelson Vieira; HOELTZ, Eneilda; ARRUDA, Ângelo Marcos Vieira. ALMANARQ, Dicas e Informações para Arquiteto e Urbanista. Rio de Janeiro: Editora LMA, 1998.

 

[2] MASCARÓ, Lúcia R. “Luz, Clima e Arquitetura”. 3a edição. São Paulo: Nobel, 1983.

[3] KOENIGBERGER, O.H; INTEGERSOUT, G; MAYHEW ALAU, Szokolays. V.  “Vivendas edificios en zonas cálidas y tropicales.” Madri: Ed. Paraninfo, 1997.

[4] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[5] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[6] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[7] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[8] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[9] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[10] SNYDER, James C., CATANESE, Antony. Introdução à arquitetura. Campus. Rio de Janeiro, 1979.

[11] SCHOENAVER, Norbert. 6.000 Anos de Hábitat. Gustavo Gill: Barcelona, 1984.

[12] SCHOENAVER, Norbert. 6.000 Anos de Hábitat. Gustavo Gill: Barcelona, 1984.

[13] LEMBERTS, Roberto; DUTRA, Luciano; PEREIRA, Fernando O. R. Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW Editores, 1997.

[14] LEMBERTS, Roberto; DUTRA, Luciano; PEREIRA, Fernando O. R. Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW Editores, 1997.

[15] Idem.

[16] LEMBERTS, Roberto; DUTRA, Luciano; PEREIRA, Fernando O. R. Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW Editores, 1997.

[17] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[18] SNYDER, James C., CATANESE, Antony. Introdução à arquitetura. Campus. Rio de Janeiro, 1979.

[19] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[20] Idem.

[21] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[22] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[23] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[24] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[25] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[26] MASCARÓ, Lúcia R. Energia na Edificação: Estratégia para minimizar seu Consumo; 2a edição. São Paulo: Projeto, 1991.

[27] IBGE. Brasil em números.  Governo Federal, 2001

[28] RORIZ, Maurício. Conforto Térmico e Economia de Energia em Edificações: Um Método Simplificado de Avaliação. Revista Sinopses. São Paulo: FAU-USP/FURAM, 1993.

[29] VERDE, Victor de Souza. A conservação de energia elétrica no novo modelo institucional do setor elétrico brasileiro.  COPE/UFRJ, Rio de Janeiro, 2000.

[30] VERDE, Victor de Souza. A conservação de energia elétrica no novo modelo institucional do setor elétrico brasileiro.  COPE/UFRJ, Rio de Janeiro, 2000.

[31] Idem.

[32]  REVISTA. Superinteressante. Abril, São Paulo, Ano 15  Nº 6 Junho 2001.

[33] LEMBERTS, Roberto; DUTRA, Luciano; PEREIRA, Fernando O. R. Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW Editores, 1997.

[34] LEMBERTS, Roberto; DUTRA, Luciano; PEREIRA, Fernando O. R. Eficiência Energética na Arquitetura. São Paulo: PW Editores, 1997.

[35] SNYDER, James C., CATANESE, Antony. Introdução à arquitetura. Campus. Rio de Janeiro, 1979.

[36] ROMERO, Marcelo de Andrade. A Conservação de Energia e o Projeto de Arquitetura: Uma Análise Geral. Sinopses. São Paulo: FAU-USP/FURAM, 1991.